sexta-feira, 19 de julho de 2024


Consumo Moderado de Vinho e a Saúde


Adaptado de  Hrelia et al (2023)


O consumo de álcool tem uma longa história na cultura humana, e o vinho, em particular, tem sido consumido por milênios em várias sociedades. O abuso de álcool é bem reconhecido como um fator de risco significativo para várias doenças e condições de saúde adversas. No entanto, há uma crescente evidência de que o consumo moderado de álcool, especialmente o vinho, pode ter efeitos benéficos à saúde. Esta revisão narrativa busca reavaliar a relação entre o tipo e a dose de bebida alcoólica e a redução ou aumento do risco de diversas doenças, à luz das evidências científicas mais recentes.

A pesquisa considerou estudos epidemiológicos e clínicos, bem como investigações in vitro sobre a modulação de vias bioquímicas e expressão gênica por componentes bioativos do vinho. Em umaa revisão de vinte e quatro estudos avaliando os efeitos do consumo moderado de álcool/vinho na saúde. Esses estudos abrangem áreas como doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, doenças neurodegenerativas, câncer e longevidade.

Uma breve discussão sobre práticas vitícolas e enológicas que podem influenciar o conteúdo de componentes bioativos no vinho também está incluída. A análise destaca que o vinho se distingue de outras bebidas alcoólicas e que seu consumo moderado está associado a benefícios para a saúde, especialmente quando incluído em um modelo de dieta mediterrânea. No entanto, é fundamental promover a educação para prevenir o abuso de álcool, especialmente entre os jovens.

Doenças Cardiovasculares:

A maioria dos estudos sugere que o consumo moderado de vinho tinto está associado a um menor risco de doenças cardiovasculares. Isso é atribuído aos polifenóis presentes no vinho, que possuem propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. Em particular, o resveratrol, um polifenol encontrado no vinho tinto, tem mostrado efeitos positivos na saúde cardiovascular, incluindo a melhora da função endotelial e a redução da pressão arterial.

Diabetes Tipo 2:

Evidências sugerem que o consumo moderado de vinho pode estar associado a um menor risco de diabetes tipo 2. Os mecanismos propostos incluem a melhora na sensibilidade à insulina e efeitos anti-inflamatórios dos polifenóis do vinho. No entanto, a ingestão excessiva de álcool pode aumentar o risco de diabetes.

Doenças Neurodegenerativas:

Alguns estudos indicam que o consumo moderado de vinho tinto pode ter um efeito protetor contra doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson. O resveratrol e outros polifenóis do vinho tinto podem desempenhar um papel importante na redução do estresse oxidativo e na inflamação no cérebro.

Câncer:

A relação entre o consumo de vinho e o risco de câncer é complexa. Embora alguns estudos sugiram que o consumo moderado de vinho tinto pode ter efeitos protetores contra certos tipos de câncer, como o câncer de mama e de cólon, outros indicam que qualquer quantidade de álcool pode aumentar o risco de câncer. A moderação e o tipo de vinho consumido são fatores cruciais.

Longevidade:

Estudos populacionais sugerem que o consumo moderado de vinho, especialmente dentro do contexto da dieta mediterrânea, pode estar associado a uma maior longevidade. Este efeito é provavelmente devido a uma combinação de fatores dietéticos e de estilo de vida.

Práticas Vitícolas e Enológicas:

As práticas de cultivo da uva e a vinificação podem afetar o conteúdo de polifenóis e outros compostos bioativos no vinho. Técnicas como a maceração prolongada e a fermentação em barris de carvalho podem aumentar a concentração desses compostos.


Fonte: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC9824172/pdf/nutrients-15-00175.pdf

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